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O Diário do soldado 038 - O alistamento.

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O Diário do soldado 038 - O alistamento.

Mensagem por Edson Gomes em Qua Nov 10, 2010 7:02 pm

Há momentos em nossa vida que todos os fatos se parecem com uma crô­nica, outras vezes se parece com um conto. Quando isso acontece, está na hora de contar para os outros. Mesmo que pareçam inacreditáveis tantos acontecimen­tos, eu colocarei aqui algumas histórias de 25 anos atrás de um soldado da força aérea: Eu.
Eu não tenho o costume de narrar histórias passadas comigo, mas resolvi contar estas depois de muito tempo pensando se deveria fazê-lo ou não, mas como já se passou um bom tempo, não custa nada compartilhar essas passagens interessantes com vocês leitores. Não espere um bravo soldado desbravando tri­lhas e acabando com inimigos, pois o Brasil não sabe o que é um combate desde da segunda Guerra Mundial. Mesmo assim o país só entrou nela, porque ataca­ram nossas embarcações aqui na costa. Tropa de paz no Haiti não vale como tal, pois tropa de paz é de paz e não de guerra.
Porém voltemos ao diário. Eu me lembro que meu pai me levou ao quartel para fazer o alistamento em um dia de verão carioca escaldante.
-Edson... – disse ele enquanto guiava – Lá você vai aprender muitas coisas como: organização, disciplina e a se virar na vida sem a ajuda de ninguém... Você pode achar que eu esteja fazendo isso de maldade, mas você verá no futuro, que isso aqui vai lhe ajudar muito na sua personalidade.
E ele tinha razão, até hoje uso o que aprendi no quartel, não igual, mas com algumas adaptações.
Eu e muitos rapazes de minha idade estávamos em um pátio esperando embaixo de um sol tropical de 37 graus centígrados, a chamada dos militares que inscreveriam os jovens. Eu percebia que a mesma cara de assustado que eu ti­nha, todos os demais não fugiam da regra.
-Talvez eu não fique! – disse um rapaz branquinho, que naquela hora da manhã parecia mais um tomate maduro de fim de feira: Vermelhão puro!
Como ninguém o fez perguntei eu:
-Por que?
-Sou arrimo de família.
-O que?
-Arrimo.
-Que porcaria é essa?
Arrimo era aquele rapaz que precisava trabalhar para ajudar em casa por­que não tinha pai, ou outro parente próximo responsável pelo restante da família. Aquilo me comoveu, pois se via pelos olhos do rapaz, que ele queria seguir a vida militar. Coisa que eu não estava muito seguro em ser.
Depois de quatro horas de espera, temperatura beirando os 40 graus e al­gumas reclamações por causa do calor intenso, eles começaram a formar filas e inscrever os que ingressariam para proteger o país... Não sei de quem, mas prote­ger.
Quando chegou a minha vez, o sargento de rosto quadrado e de semblante fechado me olhou frio, se ele não fosse de carne e osso, eu pensaria que o rosto dele era feito de rocha.
-Você! Fala o nome, idade e o que veio fazer aqui?
Como se ele não soubesse.
-Me alistar.
-Você quer seguir a vida militar? – disse ele com aquele carinho que só um troglodita teria contra um dinossauro pronto para atacá-lo.
Pensei em meu pai.
-Quero!
-Então vá para aquele canto... PRÓXIMO! – Gritou ele ao rapaz que estava logo atrás de mim. Não necessitava gastar as cordas vocais com alguém tão per­to.
Entrei em outra fila e lá fui obrigado a tirar a roupa para o exame coletivo, eu nunca tinha visto tanta gente pelada e de cores diferentes em um único lugar antes. O engraçado que todos estavam de braços cruzados, inclusive eu, talvez era porque não tínhamos bolsos para colocar as mãos. Um médico nos examinou levantando as partes intimas com um palito e nos fez entrar em outra fila, onde re­cebemos uma vacina que doía igual a ferroada de uma centena de abelhas africa­nas ao mesmo tempo. Doía tanto que até a clavícula não dava para se erguer.
-Que merda é esta? – perguntei ao cabo que fazia as aplicações.
-Anti-inflamatório!
Descobri que se tratava do pior anti-inflamatório já usado nos hospitais do país. A maldita vacina era usada para quem estava com sífilis, cancro duro, gonor­reia e o escambau. E eu não tinha nenhuma delas, nem o tal do escambau.
E foi assim que adentrei na força militar. Ah! Meu braço só teve a mobilida­de normal, pós vacina assassina, uma semana depois.
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Edson Gomes
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